Plataforma X, antigo Twitter, afirma que mudança atende resolução do TSE e impede recomendações de candidatos que usuário não segue
Uma funcionária do alto escalão do governo de Donald Trump acusou o Brasil de promover censura neste domingo, 16, após o X (antigo Twitter) anunciar uma mudança em seu algoritmo para as eleições de 2026. A plataforma informou que deixará de recomendar, na aba “Para Você”, publicações de candidatos que não sejam seguidos pelos usuários durante o período eleitoral.
A alteração foi anunciada na sexta-feira, 14, e recebeu o nome de “Brazil2026ElectionFilter” (Filtro para as Eleições Brasileiras de 2026). Segundo o próprio X, a ferramenta foi criada para atender às regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito deste ano. A Corte determinou restrições à recomendação automatizada de conteúdos eleitorais por plataformas digitais.
Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, afirmou em uma publicação que a medida representa uma “censura imposta pelo Brasil”. O cargo é subordinado ao Departamento de Estado americano, chefiado por Marco Rubio, que tem desempenhado papel de destaque nos recentes atritos entre Washington e Brasília.
Segundo o X, a resolução do TSE determina que plataformas que utilizam sistemas de recomendação excluam das sugestões automatizadas as contas oficiais de candidatos e suas publicações durante o período eleitoral. A regra, no entanto, não impede que os usuários encontrem ou acessem diretamente esses conteúdos.
“Essas contas e seus posts de candidatos não serão mais recomendados na aba Para Você durante o período eleitoral, a não ser que o usuário explicitamente siga a conta”, informou a plataforma. O X ressaltou que os candidatos não serão suspensos e que suas publicações continuarão disponíveis nos respectivos perfis.
A empresa reconheceu que a alteração deverá reduzir a visibilidade e o alcance das contas e de seus conteúdos, mas afirmou que a medida não constitui uma sanção nem altera as regras gerais da plataforma. O X também disse estar comprometido em ampliar a transparência sobre o funcionamento de seus sistemas de recomendação.
Histórico de confrontos
A mudança ocorre em meio a um histórico de confrontos entre a plataforma e autoridades brasileiras. Em agosto de 2024, o X foi suspenso no país por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após sucessivos descumprimentos de decisões judiciais. À época, a empresa encerrou suas operações no Brasil e retirou seu representante legal do país.
O bloqueio durou 39 dias e terminou após o X cumprir as exigências impostas pela Justiça brasileira, incluindo o restabelecimento de sua representação legal no país e o pagamento de multas.
A fala de Rogers se dá também em meio a atritos entre o governo Trump e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No começo do mês, o governo brasileiro decidiu adotar o princípio de reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos em resposta à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A medida dos EUA seria uma resposta ao fato de o governo Lula não ter concedido o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada do país americano no Brasil. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e rejeitou os argumentos apresentados pelo governo americano para justificar a decisão.
No comunicado, o Palácio do Planalto afirma ainda que as duas justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são “falsas”. O governo sustenta que o processo de concessão de agrément para embaixadores é confidencial, conforme estabelece o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, e argumenta que Washington tornou público o nome de seu indicado antes mesmo de formalizar o pedido de anuência ao governo brasileiro.
Em entrevista ao canal de YouTube Meteoro Brasil, Lula afirmou que se trata de uma “atitude irresponsável, impensada” e um movimento “desnecessário”.
Brasil e Estados Unidos vivem uma fase de conflitos e de distanciamento, depois que o governo Trump decidiu aplicar duas rodadas de tarifas contra o setor produtivo brasileiro. Recentemente, o governo brasileiro negou visto a dois integrantes do governo americano que viriam ao Brasil para supostamente questionar o sistema eleitoral brasileiro.

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